Se chorar adiantasse alguma coisa, pica pau morria feliz. (Do que que eu tô falando!?!)

Quinta-feira, 5 de Junho de 2008
Velho amigo novo

 

By Marcel (infelizmente)

 

 Foi muito bom te encontrar de novo!

Sabe amigo, não lembro direito quando foi a última vez que nos falamos de verdade, como dois amigos que se sentam a uma mesa e conversam sobre a vida.

Parei de te ligar, né? Nunca mais te escrevi, e nem lembrava mais direito das coisas que fizemos juntos.

Uma coisa muito estranha, pois éramos tão ligados um ao outro, pelo menos era o que eu achava.

Lembro de meus amigos perguntando ao seu respeito, do porque de não andarmos mais juntos, se tinha acontecido alguma coisa com a nossa amizade.

Para esse tipo de pergunta eu apenas ria e desconversava. Oras, deixa que ele siga seu caminho e eu sigo o meu daqui, eu pensava de vez em quando.

Olha como são as coisas: sempre tive você como exemplo em minha vida, mas confesso que cheguei a pensar que as coisas que antes eu admirava tanto em você, tudo o que você me falava, já estavam um pouco ultrapassadas.

Pois é, pensei isso mesmo.

Pensei e concordei.

Sei lá, parecia que sua companhia me impedia de fazer coisas que eu poderia fazer tranquilamente, sem ninguém ao meu lado para ficar me falando o que é certo ou errado.

Mas isso não me justifica ter te abandonado assim, de uma hora para outra, sem ao menos te dar uma explicação.

Acho que me envergonhei de você, meu amigo.

Acho não, tenho certeza.

Me envergonhei de você, e me envergonhei de mim. Da pessoa vazia que me tornei.

Sem você minha vida até que fluiu, mas somente no começo. Depois percebi o quanto você fazia falta.

Estar ao seu lado, conversar com você, chorar meus desabafos, escutar o que você tinha parar me falar.

Mas já era tarde.

Eu nem sabia mais onde você morava.

Tentei várias vezes te ligar, mas meus dedos não tinham a coragem.

E também não me lembrava o número do seu telefone.

Escrevi várias cartas para você, mas nunca enviei.

Em meio a copos de cerveja, desejei que você estivesse ali comigo, sentado ao meu lado.

Te procurei em lugares que eu sabia que nunca estaria.

Disse coisas que eu sei que você jamais concordaria.

E quando vi que nada mais me faria encontrar você novamente, me tranquei em meu quarto, apaguei as luzes, e chorei.

De tristeza.

De arrependimento.

De vergonha.

De vontade de te ver.

Agarrei as grades da janela de meu quarto e gritei desesperado de angústia: “Cadê você! Cadê você! Cadê você!!!”.

Caí de joelhos e chorei baixinho, em silêncio.

Chorei de solidão. No escuro.

Foi então que senti o calor!

Não do sol, mas que vinha de dentro de mim!

Eu conhecia aquela sensação, afinal foram anos ao seu lado!

E de joelhos, senti sua mão em meus cabelos.

A lembrança era viva demais!

Parecia que você estava lá comigo, e eu não me atrevia a abrir os olhos para que aquela sensação não sumisse novamente.

Mas abri os olhos e você estava lá! De pé em minha frente, fazendo carinho em meus cabelos.

Você estava ali, em minha frente!

No momento pensei em mil coisas para te dizer, em tudo o que estava entalado em minha garganta, na saudade imensa que sentia.

Mas não fiz nada disso.

Apenas te abracei, como quem agarra alguma coisa que nunca mais quer perder.

E chorei dizendo: “É você Jesus? Me perdoa! Me perdoa! Tende piedade de mim, e não vai embora! Me perdoa, Jesus!”

Você apenas sorriu, Jesus.

Deu um beijo em minha testa e continuou a afagar os meus cabelos.

 



postado por Marcelzero às 15:12
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