Se chorar adiantasse alguma coisa, pica pau morria feliz. (Do que que eu tô falando!?!)

Terça-feira, 20 de Maio de 2008
Morte que talvez seja o segredo dessa vida.

 

By Marcel (infelizmente)

 

Tarde da noite, todos os amigos já tinham ido embora do barzinho onde costumavam se reunir toda quinta-feira à noite, após o trabalho.

Só permaneciam sentados na mesa, Martinho e Getúlio, amigos há pelo menos uns 15 anos. Como os assuntos já estavam esgotados e a cerveja já os tinha amolecido um bocado, Getúlio, o pensador, soltou uma das suas frases enigmáticas, que faziam Martinho, o sossegado, ficar pensando se realmente a vida era complicada daquele jeito que Getúlio falava:

- Eu não tenho medo da morte.

- Não?

- Não.

- Até parece.

- Tô falando...

- Ah tá...

- Sério, Martinho. Encaro a morte na boa, de peito aberto. Pra mim ela é como uma dama que irei beijar em qualquer esquina por aí, como diria Raulzito.

- Tá não tem medo. Mas você já encontrou com ela por aí?

- Como assim?

- Ué? Se não tem medo é porque já enfrentou!

- Não foi isso que eu quis dizer.

- Então tá, porque eu tenho medo da morte sim. Sabe lá o que tem do outro lado.

- Isso eu não posso te responder, mas quando a dama de preto me encontrar na esquina da vid...

- Que encontrar o que? Esquina da vida... ah! Seguinte Getulião, quando a tal dama da morte te encontrar na esquina da vida, pode ser que ela venha em forma de um cara encapuzado e com uma bala estourando no meio dos seus miolos!

- Se assim for o meu destino...

- Que destino o que rapaz! Destino de quem é morrer baleado?

- Ninguém sabe onde a dama negra irá te...

- Mas que dama negra, Getúlio? A morte é homem, mermão! Não tem nada de dama não!

- É uma dama com um beijo de gosto amargo e...

- Ah tá! Um monte de desgraça acontecendo e a morte é uma dama de beijo com gosto amargo! Uhum! Esses dias mesmo um terremoto levou um monte de chinês pro “sete parmo”, e foi por causa do beijinho da dama nega?

- Você não está enten...

- Beijo amargo tinha a Matilda, quando a gente ficou na festa da formatura. Aquilo sim era o beijo da morte. Ô bafo!

- Você ficou com a Matilda?

- Fiquei, e daí?

- Nunca me contou cara...

- Fiquei com vergonha.

- De mim?

- Não, da Matilda.

- Entendo...

- Foi horrível.

- Imagino.

- Mas isso não interessa! A morte é foda cara! Não é bonitinha não! Deixa um homem bomba chegar aqui perto, abrir o casaco e mostrar as dinamites na sua cara, e quero ver se você vai ter cú pra chama-lo de dama.

- Aqui não tem isso...

- Mas tem uns malandro tão cruel quanto. Aquele cara ali, por exemplo. Tá paradão na esquina um puta tempão, só de olho em sabe-se lá o que. Vai que ele resolve que é hora de matar um caboclo e vem aqui e coloca o “canão” na sua cara!

- Porque na minha?

- Ué, não é você que não tem medo da “dama”? Pois então... olha a “damona” ali, super lindinha te esperando com um beijo azedo...

- Não é azedo, é amargo.

- Tá, amargo... mas tá ali ó.

- Esquece esse assunto vai.

- É... pra que ficar discutindo algo desse jeito. Eu tenho minha opinião e você tem a sua.

- Vamos pagar então, Martinho?

- Beleza.

Pagam a conta e saem do bar.

- Onde você tá indo Getúlio?

- Embora...

- Por aí?

- Que tem?

- É por aqui!

- Na boa, Martinho, aquele cara ali da esquina tá muito suspeito mesmo. Vamos por aqui, junto comigo?

 



postado por Marcelzero às 13:15
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