Se chorar adiantasse alguma coisa, pica pau morria feliz. (Do que que eu tô falando!?!)
Sexta-feira, 31 de Outubro de 2008
Banho de Parede

 

Quem mora sozinho, sabe como é difícil o dia a dia, e que a criatividade para superar as dificuldades é necessária.

Então, criei algo, em um momento desses.

Bom, para quem quiser experimentar um novo tipo de banho, que eu inventei, segue ai abaixo as dicas para que você possa preparar e aproveitar um gostoso...

 

BANHO DE PAREDE

1- Bem, primeiramente, espere a resistência de seu chuveiro queimar para que você possa trocá-la. Isso é importante.

Mas caso esteja impaciente com a demora para que ela queime, vá e troque a resistência do chuveiro mesmo assim.

2 - Durante a troca da resistência exerça uma força sobre o cano do chuveiro, o suficiente para que esse cano possa ser partido (quebrado). Detalhe: O local da quebra desse cano é bem rente a parede, ou seja, não deve sobrar nenhum pedaço de cano para fora da parede. Caso sobre, corte o pedaço com uma faca.

3 - Após a quebra do cano, xingue bastante e grite bem alto dentro do banheiro (foi assim que eu fiz), e quando estiver mais calmo, siga para o próximo passo.

4 - Olhe para o maldito furo na parede e pense com raiva: "Ah! Mas eu vou tomar banho custe o que custar! Nem que seja no cano!". Após isso, vá furioso para a torneira do chuveiro e abra.

5 - Constate, com uma feição de ódio, que a pressão da água de sua casa não é forte o suficiente para formar uma cachoeira, e que a água desce pura, cristalina e sem força nenhuma, escorrendo pelo azulejo do banheiro. Caso sua casa possua pressão suficiente para formar uma cachoeira, abra pouco a torneira, para que ela desça escorrendo pela parede. E vá para o próximo passo.

6  - Com os olhos lacrimejantes, passe a mão na água que escorre e molhe o corpo com raiva (você deve estar nú e com raiva).

7 - Pegue o sabonete e esfregue por todo o corpo, incluindo o rosto.

8 - Vendo a burrice que fez, comece a se esfregar na parede, rolando pelo azulejo (faça de conta que a parede é um chão).

9 - Para que você lave as axilas, deve-se levantar um dos braços em direção ao cano, e, deixando a água escorrer, enxaguar uma das axilas com a outra mão. Repetir o processo igualmente para a outra axila.

10 - Para lavar as costas, encoste-se na parede com as costas (é claro) e balance de um lado para o outro (solte alguns xingamentos de vez em quando) como um pêndulo de relógio.

11 - Para ás nádegas, use o mesmo método que para as costas.

12 - Para a barriga, levante os dois braços e junte as mãos em cima, de modo que formem uma "flecha", e deixe a água fazer todo o caminho pelo braço, escorrer pelo pescoço até chegar à barriga. Quando estiver bem molhado, tire com as mãos o excesso de sabão. Nota: O processo de lavagem da barriga demora, em média, uns dez minutos.

13 - Após a barriga, todo o sabão haverá descido para as pernas, então repita o "modus operandis" usado para a barriga e, contorcendo-se, faça a água chegar até as pernas.

14 - Para o rosto, não tente encostar de frente para a parede, pois o nariz não deixará que todo o rosto se cole ao azulejo. Faça o seguinte: Cole a bochecha na parede e deixe a água cair levemente em seu rosto. Solte mais alguns xingamentos nesse momento, se achar necessário.

15 - Enfim, para lavar as partes mais íntimas. Para os homens: Fácil! Pegue-o, encoste-o na parede, e deixe a água fazer o seu trabalho. Sem problemas!

Para as mulheres: Aí é que está! Faço a mínima idéia! Imagino que deva ser um tanto complicado!

16 - Banho tomado! É hora de soltar um último xingo, olhar para o chuveiro pendurado pela fiação elétrica e se enxugar.

 

Esse é o Banho de Parede.

Espero que gostem.

E por favor, muito cuidado quando forem trocar resistências do chuveiro.

 

Volto outro dia, com mais dicas para vocês!

 



postado por Marcelzero às 00:33
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Terça-feira, 28 de Outubro de 2008
Implicância

By Marcel (Infelizmente)

 

Nada contra você, por favor!

Não me leve a mal!

É que sou chato mesmo e às vezes tua voz me incomoda.

Sei que sou eu o problema, quase sempre

Mas tem como você entender e sair fora?

Nada contra você, por favor!

Não me leve a mal!

É que sou chato mesmo e às vezes teu olhar me incomoda.

De peixe morto, invejoso, espreitando,   

Me olhando como se eu fosse o pior dos seres humanos

Talvez eu seja, quase certeza

Mas tem como você mirar pra lá esses olhos insanos?

Nada contra você, por favor!

Não me leve a mal!

É que sou chato mesmo e às vezes teu cheiro me incomoda.

Mistura de suor com perfume barato

Pior que um amigo que eu tinha nos tempos de escola

Credo!

Quando alguém abre um pacote de cheetos em ambiente fechado

Cheiro de cigarro no cinzeiro, já apagado

Mistura de cravo, canela, flor de velório,

Pano de cozinha, cachorro molhado,

Fedor de mal hálito.

Credo!

Nem vou falar de seu mal hálito.

Mas nada contra você, por favor!

Não me leve a mal!

É que sou chato mesmo e às vezes teu falar me incomoda.

Dando palpite em tudo que eu faço

Como se fosse o senhor da verdade

Conversa sobre todos os assuntos com ar de superioridade

Fala que o Lula é analfabeto, que no Brasil nada dá certo

Que MPB é música boa, que Deus ajuda quem cedo madruga

Como se tudo isso fosse novidade.

Vomitando palavras recheadas de hipocrisia

Explicando que racismo é coisa ridícula

Até meu irmãozinho sabe disso,

E ele tem cinco anos de idade!

Nada contra você, por favor!

Não me leve a mal!

É que sou chato mesmo e às vezes teu andar me incomoda.

Olhando sempre pra frente, cabeça erguida

Passos largos e confiantes, o senhor das ruas e avenidas.

Isso é o que me falaram, pois olhando aqui de onde estou.

Hum, sei não.

Tu tens um jeitinho de bixa.

Só estou comentando, não é preconceito, por favor!

E nada contra você!

Por favor, não me leve a mal!

É que sou chato mesmo e às vezes tua respiração me incomoda.

Aquele ar podre saindo de suas narinas.

Entrando e saindo, respirando o mesmo ar que o meu.

Se eu tiver algum vírus contagioso, tenha certeza

Ele também é teu.

Do seu pulmão deve sair monóxido de carbono

Igual a fumaça que sai daquela merda de carro que a imbecil da tua esposa te deu.

Vamos fazer um trato, eu e você?

Você e eu?

Quem sabe a gente acaba com essa briga, essa coisa chata, esse monte de intriga.

Estou querendo me redimir agora, então proponho a você:

Eu fico aqui de boa no meu cantinho, fazendo o que eu sempre faço

Essa é minha parte do trato.

Deu pra entender?

A sua?

Ah, tá.

É o seguinte:

Você poderia fazer o favor de morrer?



postado por Marcelzero às 15:19
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Terça-feira, 14 de Outubro de 2008
Reflexão

By Marcel (Infelizmente)

 

Ela reflete tudo ao meu redor

Reflete minha sobrancelha, o defeito de meus cílios.

Reflete a tela do monitor, tudo o que eu escrevo

Reflete o teclado

Assiste às aulas do professor e ela escreve igual a mim

Só que ao contrário

Reflete o sorriso dos meus amigos

O mictório do banheiro

A moça da cantina da faculdade

Reflete a cor da coca-cola que eu bebo

Reflete a chave do meu carro, o volante

A sujeira do vidro embaçado.

Reflete a escada do meu prédio

A porta de meu apartamento

Reflete minha sala bagunçada

Reflete o porta-retratos

Reflete minhas mãos lavando a louça

Da semana passada.

Ela reflete tudo ao meu redor

E aumenta o tamanho dos poros de minha bochecha.

Na frente do espelho ela reflete a si mesmo

Com minha imagem dentro dela.

E se despede de mim assim...

Percorrendo o caminho que suas amigas já deixaram.

Começa nos olhos, dá a volta pela bochecha,

Passa perto dos lábios e se acumula no queixo

Cresce, pinga

E se vai...

Cresce, pinga

E se vai...

Cresce, pinga

E se vai...

Do meu queixo até o chão ela reflete a queda

E fica lá embaixo refletindo a amiga lágrima que vem logo atrás

Que cresce, pinga

E se vai...

 


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postado por Marcelzero às 19:46
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Segunda-feira, 13 de Outubro de 2008
Meu amigo que mora do outro lado do rio

By Marcel (Infelizmente)

 

Tenho um amigo

Mora lá do outro lado do rio.

Vez ou outra pega um barco

E vem almoçar aqui comigo.

Conta das coisas que acontecem nas bandas de lá.

Fala do tamanho das árvores

De cada bicho esquisito!

Sobre as duas luas que tem no céu

E que de noite é um perigo!

Disse que tem vulcão, cratera de meteoro,

Castelo de princesa, carro que voa

Dinossauro escondido.

Conta cada coisa absurda

Que uma vez encontrou uma casa feita de chocolate

Comeu tudo a vontade

Inclusive João e Maria.

Que os clones lá são super simpáticos,

Animados e tranqüilos.

Outra vez disse que o sol não se pôs durante seis meses.

E ninguém dormiu por causa disso.

Me convidou para um dia ir lá,

Que ele me apresenta Jesus Cristo!

Muito estranho meu amigo

Mora lá do outro lado do rio.

Mas eu acho engraçado tudo isso

Porque quando olho daqui desse lado

Só enxergo um monte de árvore

Tudo vazio.

Mas eu não duvido dele não.

E quando ele vai embora eu sinto saudade.

Saudade desse meu amigo.

Fico esperando o dia da próxima visita

Fico aqui sozinho.

A saudade aperta, e daí eu o chamo

Nem sei o seu nome.

Faço sempre assim:

Acendo o fogão de lenha, boto água pra ferver

E ele vem rápido.

Sentindo o cheiro do meu chá de lírio.


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postado por Marcelzero às 18:28
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Sexta-feira, 3 de Outubro de 2008
A canção do amor

By Marcel (Infelizmente)

 

Amor sem fim...

Como explicar?

Como explicar um amor sem fim que chegou ao fim?

Um coração do tamanho do mundo

Abarcando a tudo e a todos

Filhos, filhas, netos, noras, irmãos, genros

Quem pode me dizer quanta doçura cabe em uma só pessoa?

Nem tente responder

Pois suas respostas, tenha certeza

Não serão boas

Não é você.

É essa pessoa!

Incomparável!

Quanta doçura, quanto amor!

Sou de uma família grande

Faço parte de uma geração de netos abençoados

Netos possuidores de duas mães!

Netos, filhos de pais que nunca a esquecerão!

Não a esquecerão jamais!

Somos especiais!

Tivemos o privilégio de aprender a sublimidade do amor

Um amor verdadeiro

Um amor doação!

Que eu guardo na memória, na alma,

Em meu coração.

Somos especiais!

Pois sabemos, que o amor verdadeiro é simples...

Feito de um par velho de havaianas

Arrastando no chão

Aquele barulhinho de panela na cozinha

E ela

Cantarolando

Aquela linda canção...

 

“Eu ainda me lembro da Júlia sapeca

Aquela menina levada da breca...”

 


 

Para minha amada Vó Célia, que se faz tão presente até hoje...

E para quem quiser se apossar dessas humildes palavras cheias de amor - filhos, filhas, netos, netas, genros, noras...

Fiquem à vontade...

Muitas saudades...



postado por Marcelzero às 06:40
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Até a uva passa

By Marcel (Infelizmente)

 

Olhando daqui é isso o que eu vejo:

Que nem tudo é ruim como parece ser

Nem tudo é difícil como possa parecer

Nem tudo se parece com o que você consegue ver.

Consigo enxergar saída para você

Não precisa se desesperar.

Calma!!

Calma!

Calma...

Tudo vai melhorar

Não se aflija

É melhor orar

Não tenha medo, vai passar

Não é o que dizem?

Que por mais que a noite seja escura

No outro dia o sol torna a levantar?

É a lógica das coisas,

Não é idéia minha.

Tudo vai passar...

Tá vendo lá em cima?

Olhe só, isso! Lá mesmo!

Bem onde está apontando meu dedo.

Quantas estrelas piscando, quanto brilho

Bem no meio desse imenso pano preto.

Olha lá o céu sorrindo!

Que lua linda...

Já te contaram que ela é feita de queijo?

Observe as constelações,

Os nossos signos!

Dizem que influem o modo como eu penso

Que coisa mais linda, uma estrela cadente!

Feche os olhos.

Rápido!

Faça um desejo!

O que você pediu?

Ah! Verdade, me esqueci

É segredo...

Melhorou? Passou aquele desespero?

Distraí você, não é verdade?

Fico muito feliz.

De verdade, mesmo.

Bom, já que você está melhor, vou-me embora

Está tarde.

Até mais! Outra hora nos vemos!

Pois é... foi-se.

Estou sozinho

Um suspiro

O silêncio

Eu, o céu e esse campo aberto

E com o rosto molhado olho pra cima

Encaro o firmamento

Não falo nada

Nem uma palavra

Somente em pensamento

“E aí, estrela cadente?

Não vai realizar o meu desejo?

Pedi pra ti algo tão simples!

Realize a metade, pelo menos.

Que trouxesse alguém pra me distrair

Que seja a minha vez de ir embora aliviado

Sem que eu precise dar conselhos.

Ir embora em paz

Sem mais

Nem menos

E nem medo.


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postado por Marcelzero às 06:39
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