Se chorar adiantasse alguma coisa, pica pau morria feliz. (Do que que eu tô falando!?!)
Segunda-feira, 29 de Setembro de 2008
Filosofia

By Marcel (Infelizmente)

 

 

 

Penso nela logo existo...

 


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postado por Marcelzero às 19:48
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Domingo, 28 de Setembro de 2008
Escrevendo até passar

By Marcel (Infelizmente)

 
Não vou ficar pensando muito nas palavras certas e bonitas
Que façam algum sentido
Só preciso é que elas sejam ditas
É só disso que eu preciso
 
Desse jeito mesmo, igual aí em cima
Sem nada de novo ou diferente
Não vou me preocupar com a rima
Até mesmo porque não tenho nada em mente
 
Eu estava somente tomando banho
Quando a solidão se aproximou de mim
Me fez chorar de novo, um troço estranho
Uma tristezinha sem fim
 
Então o que pude fazer, foi somente isso
Correr pra frente da tela e aqui despejar minha dor
Porque estou aqui sozinho
E meu amigo é esse computador
 
Por isso mesmo nem estou me preocupando em ser diferente
Pra que você leia coisas bonitas
Porque por mais que eu tente
Não estou muito inspirado esses dias
 
Então me perdoe as rimas infantis
O texto sem sentido desde a primeira linha
No momento é o único jeito que vi
Para aliviar minha agonia
 
Mas já vai passar
Está acalmando
Pronto, está saindo o mal-estar
Está aliviando...


postado por Marcelzero às 18:25
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Sexta-feira, 26 de Setembro de 2008
Piloto automático

By Marcel (Infelizmente)

 

Meu coração bate nos olhos quando me incomodo.

Meu coração bate nos olhos e meus olhos se enchem d’agua.

Meus olhos se enchem d’agua e assim tropeço fácil e me desequilibro.

Tropeço fácil e qualquer pena ou pluma leve torna-se imensamente pesada.

Carrego pluma com as costas arcadas.

Com as costas arcadas somente consigo olhar o chão sujo.

Olhando o chão o tempo inteiro, não vejo o que acontece a minha frente,

Ando sem capacete e vivo dando cabeçada.

Tudo isso num dia só.

Desde o amanhecer ao pôr-do-sol.

E quando chega o outro dia, abro os olhos

Agonia!

Meu coração, que estava descansando, sonhando, tranqüilo, de molho.

Começa a bater forte no meu olho.

Meus olhos se enchem d’agua,

E começa tudo de novo...



postado por Marcelzero às 18:56
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Estou chegando...

By Marcel (Infelizmente)

 

Chove calmamente.

O dia nublado, cinza.

Os passarinhos todos estão escondidos.

Onde será que se escondem os passarinhos?

Ele coloca as asas para fora do abrigo para saber se a chuva passou?

Não está ventando, mas mesmo assim o dia está frio.

Eu já estou há mais de vinte minutos escondido sob o orelhão em frente a esse bar.

Não me escondi aqui da chuva. Foi a chuva que chegou enquanto eu estava ao telefone.

Já passa das duas horas da tarde, e as poucas pessoas que vejo daqui, correm apressadas com medo que os pingos aumentem.

Um barulho forte de freada brusca de carro lá ao longe...

Xi! Acho que bateu!

Uma senhora andando devagar com sua sombrinha que não consegue proteger nem metade de seu corpo.

Um homem andando despreocupadamente, de chapéu, guarda chuva fechado na mão e fumando seu cigarro.

Uma criança levando bronca da mãe porque insistia na saudável brincadeira de querer deitar-se rente ao meio fio para tomar banho de enxurrada.

Quando eu era pequeno fazia a mesma coisa! E apanhava do mesmo jeito da minha mãe!

No boteco lá da esquina, não nesse no qual estou em frente, o pessoal canta música caipira, acompanhada por um violeiro de chapéu de palha, que canta com uma voz afinada de dar inveja.

Nesse boteco no qual estou em frente, apenas um caipora joga sinuca sozinho. Aliás, ele brinca apenas com a bola branca. Ele me parece triste e sem rumo.

Tem três crianças protegendo-se sob o toldo de uma loja de roupas, todas juntas. Acho que são irmãos, pois do nada resolveram sair e correram todas juntas, de mãos dadas. O mais velho na frente e puxando as duas mais novas com cuidado.

Tem um pombo no meio da rua, procurando comida e sem dar a menor bola para a chuva. Olhando daqui, o modo como ele mexe a cabeça descontrolada, para frente e para trás, andando aos pulinhos e parando com um dos pés somente, me parece ser um pombo surtado.

Ele está olhando pra mim? Está!

O pombo louco chegou até perto dos meus pés e deixou o pedaço de comida que estava em seu bico, ao meu lado.

Obrigado, pombo louco, eu como depois, tá?

Saiu voando.

Que trovão!

Parece que arrebentou bem em cima de minha cabeça!

E com isso, o moleque que vinha todo faceiro em sua bicicleta, pedalando sem as mãos, assustou-se com a pancada da trovoada e estatelou-se no chão.

Hum... que tombo!

E que vontade de dar risada!

Está no chão, com a maior cara de tacho, fingindo que tudo está bem e arrumando as tiras de seu chinelo havaianas que arrebentou.

Olha que interessante! Estou reconhecendo ao lado do moleque azarado, o pombo doidão que  está ali também.

Deixou um pedacinho de pão e foi-se embora voando.

Está trovejando demais agora!

Gosto de chuva, mas confesso que se estivesse em casa seria bem melhor.

A chuva aumentou um pouco e agora está invadindo meu abrigo.

Esse orelhão.

E essa chuva que não passa, e que fez o favor de me pegar aqui, de surpresa enquanto falava ao telefone.

Estava falando com ela! Linda, doce e especial!

Estava explicando a ela que iria ter que adiar minha chegada no dia de hoje.

Não poderia vir, pois surgiu um imprevisto e teria que ficar mais dois dias fora da cidade.

Ela ficou triste!

Os filhos dela estavam fazendo barulho em volta dela enquanto conversávamos.

Os filhos delas são meus também.

Ela é minha esposa!

Fiquei uma semana fora, e agora estou aqui, com as malas junto aos meus pés, ensopado da chuva, que me pegou enquanto eu explicava a minha esposa que não poderia voltar naquele dia.

E os créditos do cartão telefônico acabaram-se, então.

Ficou mudo e ela ficou triste.

Mas vou acabar com a tristeza dela, ah, vou sim!

Estou com as minhas malas aos meus pés, uma semana fora de casa e a saudade dela e dos meus filhos está me matando.

E eu menti com relação ao atraso!

Vou pegá-la de surpresa.

Que saudades imensa!

Deixa eu ir então, que essas malas estão ficando encharcadas, e ficarão cada vez mais pesadas.

Estou sozinho aqui para carregá-las.

Mas isso também não é muito problema.

Eu moro ali em frente mesmo, está vendo?

Estou vendo a sombra dela pela janela.

Então dá licença que estou indo!

Ah, que saudade dela!

Fuiiiii...


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postado por Marcelzero às 15:16
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Quinta-feira, 25 de Setembro de 2008
Amor...

Por Mariana

 

O amor é sublime.

Não busca a perfeição.

 

Com o amor pode-se ser você mesmo

Proporciona esperança enorme no futuro

Proporciona futuro ao lado do bem amado

O amor entende

Desculpa pelas besteiras

Ajuda a saltar sempre pra frente

Deixa chorar

Gritar

Sonhar

Ser feliz à vontade

Perde a hora de voltar pra casa

O amor faz imaginar desenho em nuvens

Alivia os pesadelos

Escuta as coisas fúteis

Pode-se fazer o que quiser!

Perder o juízo

E mesmo assim permanecer tranqüilo

Ama-se por infinitas coisas

Que jamais caberia aqui escrever

Apenas sentir

Mas só sabe-se que se ama

E muito!

Amor é um sonho

Um sonho que se quer para sempre...

 

 

Ps: Totalmente meu...

 


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postado por Marcelzero às 16:22
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Quarta-feira, 24 de Setembro de 2008
Chorinho contido

By Marcel (infelizmente)

 

Entra afiada como se fosse adaga

Deixando-me sensível a qualquer sentimento

Um elevador, um soluço que me pega desprevenido

Um chorinho contido ao fim de risadas.

 

Olhos perdidos

Úmidos

Feito orvalho

 

Aperto no peito

Picada de abelha, dilacerante

Minutos disfarçados de segundos

Horas que demoram dias

Angustiante

 

Quando estamos juntos

Dias inteiros

Que parecem minutos

 

No meio do dia aparece

Cresce, cresce e cresce

Não respeita minhas ordens

Não desaparece

 

É saudade o nome

Cruel

Parasita

 

E com a adaga que eu a mato

Na sexta à noite

Ela mergulha em minhas costas

Assim que o domingo despede-se.

 

Fim de semana que foi-se...



postado por Marcelzero às 19:29
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Apenas diferente

By Marcel (infelizmente)

 

Dias atrás, eu fiz assim:

Quando todos começaram a chegar

A se reunir, lá no bar

Eu quis ir embora, assim do nada.

Outra vez foi uma piada

Todo mundo achou graça

Mas só eu não dei risada.

Minha mãe me mandou comprar pão

Comprar dez, pra ser mais exata

Comprei, mas dei um ao pedinte no meio da estrada.

Eu quis viagem pra cidade pequena

Quando todo mundo queria praia.

Escolheram hotel pra dormir

Eu quis pousada.

Fizeram passeio de bicicleta

Eu, caminhada.

Manhã, tarde, noite, todos preferem assim

Eu sou mais a madrugada.

Tomo sorvete quando faz frio

No calor só uso calça, e nunca saia.

Acho bonito coisas feias

E feio as coisas bonitas que você acha.

Faço tudo ao contrário, você tem razão

Não é pra parecer diferente, saiba disso

É que pras coisas que você acredita

Eu tenho outra opinião.

Cansei de ser enxovalhada por andar na contramão

Mas isso é pra quem não me conhece

Porque amigos eu tenho aos montes

E ser do contra pra eles não significada nada

Porque sempre que algum deles chora ou fica triste

Caídos no chão ao primeiro tombo

Sou euzinha aqui que os carrego

Coloco todos nos meus ombros

São todos fracotes e de cara pálida

Faço minha parte e eles sabem disso

Não reclamam quando peço licença

E se para eles eu viro a cara

Sabem bem que o que quero

É que não vejam meu rosto cansado

E marcado pelas lágrimas.

 



postado por Marcelzero às 13:52
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Domingo, 21 de Setembro de 2008
Só na marola

By Marcel (Infelizmente)

 
Não volto mais
Não volto atrás
Pareço perdido
Mas encontrei meu caminho
 
Meu guia é você, estrela...
Não tenho outro norte...
Meu impulso é você, brisa...
Em minha vela estendida...
Meu destino é você, porto...

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postado por Marcelzero às 18:20
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Sexta-feira, 19 de Setembro de 2008
Bonequinha

By Marcel (Infelizmente)

 

“Bonequinha, bonequinha, tão lourinha!

Porque ficas a sorrir, sem dormir?”

Com meus cabelos na altura do queixo,

Minha bochecha gordinha,

Usando roupas do meu irmão (pentelho) mais velho

Observando a mais nova, minha (pentelha) irmãzinha

Divido o quarto com eles o dia inteiro

Quando comecei a ler estórinhas infantis?

Sinceramente, não lembro

Lembro da mamãe cozinhando

Do papai chegando tarde do trabalho

E dos meus irmãos (pentelhos)

Mas a frase eu guardei

“Bonequinha, bonequinha, tão lourinha!

Porque ficas a sorrir, sem dormir?”

Nessa época eu ainda era essa bonequinha

Hoje não

Hoje cresci, sou mulher

Não guardo mais a bochecha gordinha

Tenho trabalho e logo estarei formada

Sou o que meus pais me formaram

Espelho daqueles que me criaram

Aprendi que na dor se vive o amor

E que no amor se supera a dor

Mas à noite em meu quarto

Cansada, deitada

De olhos fechados

Sempre repito baixinho

“Bonequinha, bonequinha, tão lourinha!

Porque ficas a sorrir, sem dormir?”

Então me lembro do quarto a três

De quando eu lia estórinhas

Do papai, da mamãe

De mim, pequenina

E adormeço sorrindo,

Com a tranqüilidade e certeza

De que ainda carrego aquela menina

Mas hoje sou mulher!

Muito prazer,

Carolina!

 

Para minha querida irmã, Carolina, com muito carinho do tamanho da minha saudade.



postado por Marcelzero às 15:18
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Quarta-feira, 17 de Setembro de 2008
Parô!

By Marcel (infelizmente)

 

Parô! Parô meu coração!

Aquele segundo de paradinha

Igual aquele sopro que nasce com alguns

Aquele defeito de fabricação.

Parô! Parô meu coração!

Quando viu quem há muito eu não via

Quando meu pai me levou na roda gigante

E senti aquele frio na espinha!

Quando o menino me parou na rua,

Parô meu coração!

Exigindo o meu dinheirinho

Pra gastar com drogas e prostituição

Quando o padre avisou que não ia

Pro céu quem não fosse menino bão

Ai, meu Deus! Parô! Parô meu coração!

No dia em que minha vó foi pro céu,

Pegando todo mundo de supetão

Quando o cometa Halley passou na minha cidade

E reuniu todo mundo pra ver nenhuma novidade.

Quando chegou o ano dois mil

E mandamos o fim do mundo

Para a puta que o pariu!

Parô! Parô meu coração!

O moleque me esperando na saída da escola

Pra brigar em frente ao portão

Quando a menina que eu paquerava

Finalmente disse não

Quando papai torto me olhava

E quando mamãe me dava sermão

Quando a pedra que mirei lá de longe

Saiu voando da minha mão

Eu sorrindo enquanto ela acertava

A vidraça do Seo Sebastião

Quando o homem do saco aparecia

Em companhia do bicho papão

Quando os barulhos da noite lá em casa

Faziam-me pensar que fosse ladrão

Quando na escola eu mudava de classe

Quando a enfermeira preparava a injeção

Com o cheiro do formol, de hospital

Com a sala de recepção

Parô! Parô o meu coração!

Quando a vida me apresentou o trabalho

Contas pra pagar e a solidão

Quando o sorriso saiu do meu rosto

Quando as brincadeiras já não tinham mais o mesmo gosto

Quando o frio e o quente tornaram-se morno

Ai, meu Deus! Parô o meu coração!

Quando a menina olhou nos meus olhos

Sorriu e pegou na minha mão

Aí, foi o tempo que parou desde então

E agora eu vivo segurando meu peito

Porque disparô o meu coração!

 


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postado por Marcelzero às 17:18
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Terça-feira, 16 de Setembro de 2008
Se for já era...

By Marcel (Infelizmente)

 

Eu,

Tremendo de febre

Suando, debaixo de um calor de quarenta graus

O corpo inteiro molhado de suor

Testa molhada, gotas escorrendo pelo rosto inteiro

Calafrios percorrendo todo o corpo

Roupas encharcadas de tanto suor

A febre aumentando

E o sol derretendo e fritando meu cérebro

Pensamento acelerados e desordenados

Pensamentos correndo a uma velocidade angustiante

Eu,

Sozinho em meu quarto, com gotas pingando de todos os dedos

Cabelo empapado de tanto suor

Calafrio de febre misturado ao sol incandescente que entra pela janela

Dentes trincados de tão apertados

Deitado na cama, cheio de frio e calor

Coberto com dois cobertores e três edredons

E o sol arrebentando e fritando meu cérebro

Desidratado e com o corpo coberto de areia

Coberto de areia, suando de calor e frio debaixo de meus cobertores

Sangrando pelo nariz, ouvido, boca,

Sangrando por baixo

Inteiramente partido os lábios

Eu,

Ensopado de suor, lágrimas e sangue

Arrependido de uma vida mal vivida

Preso no caixote de madeira e com algodão no nariz

Com terra entrando pelas frestas

E eu de olhos arregalados, sem ar

Vestido de terno

Arrependido na alma e clamando:

“Não quero ir para o inferno!”



postado por Marcelzero às 14:40
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Segunda-feira, 15 de Setembro de 2008
Livre para ser brega...

By Marcel (Infelizmente)

 

No dia a dia do meu computador cardíaco e humano

Tem várias janelas abertas e programas que estou usando

Trava de vez em quando

Perco relatórios em que estava trabalhando

Já o formatei várias vezes.

Mas sempre que ligo ele de novo,

Tá lá você, de papel de parede.


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postado por Marcelzero às 19:13
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Sorrindo

By Marcel (Infelizmente)

 

Com um sorriso no rosto eu dirijo meu carro

Já sei de cor o caminho que eu faço

Os retrovisores bem arrumados

O vidro de trás embaçado

Por fora, mal lavado

Por dentro, pior ainda, tudo bagunçado

Mas com um sorriso no rosto eu dirijo meu carro

Com todo o cuidado

Paro toda vez que fecha o semáforo

Dou gorjeta para o tiozinho

Uns vinte centavos

Não tem óleo vazando

Não tem barulho estranho

Apesar dos vinte mil quilômetros rodados

Com um sorriso no rosto eu dirijo meu carro

Cruzo com vários outros pelo caminho

Gente cantando, chorando

Falando sozinho

Esses dias atrás vi um tocando violino

Outro enfezado, gritando irritado

Com a bagunça que fazia no banco de trás

O seu filho

À noite, a silhueta da cabeça da esposa

Encostada no ombro de seu marido

O menino apoiado no banco de trás

Olhando pra mim, e acenando sorrindo

E com um sorriso no rosto eu dirijo meu carro

Dirijo o meu carro sorrindo

Uma mão no volante e outra no câmbio

E a mão dela em cima da minha

Mudando de marcha comigo...

 



postado por Marcelzero às 14:49
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Quinta-feira, 11 de Setembro de 2008
O filho da puta

By Marcel (Infelizmente)

 

O filho da puta é um puta dum filho de baixa conduta

Criado no lixo, sem endereço fixo e com mulher prostituta

Metido no vício, marginal de vocação, sem empregado e nem patrão

Deitado na marquise, falando sozinho em seu mundo ilusório

De olhos pesados, dopados, vidrados, tristes

Pela pinga barata sorvida como se fosse uísque

Medroso de dia, corajoso sob a lua

Escarrado quando sai o sol, aparecido quando a noite cai

Sem direito a voto, nem visto, nem veste, nem voz

Sobrevivente de aborto, rubéola, sarampo, cheio de piolho

Coxo de uma perna, anda sem bengala e é cego de um olho

Cheirando a urina e com resto de fezes embaixo da unha comprida

Por amigo um cachorro

Por inimigo, quase todos

Anestesiado de dor

Tem cheiro de morte e tristeza

Tem um pouco de homem

Tem um muito de fome

Tem dias que ele dorme

Tem dias que ele some

E volta danado com Deus

E deita-se em frente à Igreja pra gemer de solidão

O filho da puta é um puta dum filho de baixa conduta

Que ninguém ensinou o que é certo ou errado

Sobrevivente de aborto e abortado do povo

O último de todos, puxado com rodo

Humilhado na terra, não faz a mínima idéia

De que a justiça divina, por demais esquisita

Diz que o céu o espera...



postado por Marcelzero às 19:08
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Anormalidade

By Marcel (Infelizmente)

 

 

Mulher,

Abençoada desde o princípio.

Dona do coração mais forte.

Talvez seja por isso que é capaz de suportar

A dor do parto no início

E a injustiça da partida do filho

Na morte...


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postado por Marcelzero às 11:51
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Terça-feira, 9 de Setembro de 2008
Será?

By Marcel (Infelizmente)

 

Será?

Será que para o lugar que eu vou
Vai você também?
Um lugar feito de nada e cheio de tudo
Onde a hora é parada e tem música de fundo
Estradas de campos de flores de todas as cores
Que passam o dia a fofocar
Toda vez que apareço por lá.
Será?
Não tem frio, não tem calor
Não tem tristeza, não tem angústia
Não tem dor.
Não tem temor, não tem idéia
Não tem platéia.
Será?
Um lugar feito de tudo e cheio de nada
Onde a parada da hora é apressada
Estradas de cores e flores do campo
Que passam o dia a fofocar
Toda vez que apareço por lá.
E será que você também aparece por lá?
Fácil de chegar,
Penso eu.
Segue direto até seu sorriso
E na entrada  escrito ‘paraíso’
A porta se abre com um beijo teu...


postado por Marcelzero às 02:06
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Segunda-feira, 8 de Setembro de 2008
Assim

Por Valery e Marcel

 

Às vezes fico assim

Sem saber onde ir,

O que fazer ou dizer

Fico por ai

 

Às vezes sou assim

Chata, incompreensível

Incompreendida,

Perdida.

Sou isso ai.

 

Não sei de nada,

Nem sei de mim,

 

Ignore o acaso

Enfrente de cara esse caso

Fica perto de mim.

Pertinho assim...

 

Às vezes fico assim

Acertando o errado

Prevendo o passado

Prisioneira de mim mesma

 

Carcereira cruel de minha natureza

Natureza...

Naturalmente sou assim

Início de fogo

Meio de gelo

E recomeço no fim

 

Intermináveis sóis adormeceram

E essa espera, de dor

Açoite

Sou incansável

Assim

Minha fúria e minha pele

Tem a cor da noite

 

E você um dia

Perto de mim

Pertinho assim...


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postado por Marcelzero às 20:01
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Quarta-feira, 3 de Setembro de 2008
É banzo...

By Marcel (Infelizmente)

 

Aquele desespero que sinto em certas horas do dia

É o que faz que eu tenha mais medo da noite.

O travesseiro molhado e meu estômago gelado

Não me deixam dormir como eu queria.

Já decorei o caminho que faz

Cada rachadura que corre o meu teto

A aranha que eu vejo lá em cima se tornou minha amiga

Atrás do guarda-roupa mora uma lagartixa

Embaixo da cama uma família de baratas

Da porta até a cozinha um caminho de formigas

Que levam embora as migalhas de pão velho

O mesmo pão que eu recusei ao mendigo.

E agora eu me digo o porquê do vazio

E agora eu mendigo pra encher meu vazio.

O medo da noite que antes eu não tinha

E esse desespero que eu sinto em certas horas do dia.


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postado por Marcelzero às 18:59
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Terça-feira, 2 de Setembro de 2008
Doce vazio

By Marcel (Infelizmente)
 
O jeitinho que você anda
O modo como você sorri
As coisas que você fala
As coisas que você não fala
A primeira vez que eu te vi
O balanço dos seus cabelos
Seus cabelos com o teu balanço
O prateado na sua sobrancelha
Às vezes em que me aconselha
Quando dorme
Quando come
Quando acorda
Quando some
Quando volta
Quando me chama
Quando reclama
Quando inflama
Quando me esnoba
Quando me ama
O primeiro beijo
O perfume que usa
O cheiro da tua pele
Minha pele com teu cheiro
As risadas pra mim
As risadas de mim
O piscar dos seus olhos
Sua boca viciante
O violão do seu corpo
Seu silêncio
Sua calma
Sua paciência
Sua chama
Seu mistério
Sua voz
Seu drama
Seu suspense
Sua explicação
Sua demora
Sua pressa
Sua alma
 
É só o começo de uma lista sem fim
Das coisas que eu penso, repenso, lembro e relembro
De noite e de dia.
Mamãe me dizia, que mente vazia é o lugar preferido
Onde o diabo cozinha.
É assim todo o dia, em todo o lugar
Onde quer que eu esteja
Deitado, sentado, embaixo do chuveiro
Andando, correndo, enquanto eu leio
O tempo inteiro, até assistindo Tevê
O que mamãe me dizia não serve pra mim
Pois mente vazia
Fica inteiramente dedicada a você.



postado por Marcelzero às 04:32
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